Fico imaginando um leitor perfeito. quero um leitor que já saiba de tudo, um leitor à quem não se precise explicar nada. explcações são perdas de tempo, são voltas que damos para fugir do óbvio, no inevitável, daquilo que pode nos apaixonar.
Quero um leitor eu. a única leitora dos livros que não vou escrever e, mesmo se escrevê-los, não vou ler, mas, ainda assim, quero que ele exista: o meu perfeito leitor imaginário. Isso me tira das costas um peso horrível de ter que escrever para alguém de determinada forma que este alguém tenha que entender. ai que saco. será que dá para não termos que entender. nem explicar. É porque é. Ponto. Já não é suficiente isso? Será que só Deus tem essa prerrogativa de somente ser. Mas que diabos, quero ter sentimentos que somente sejam. Quero ter textos que somente sejam. Quero ter prazeres que somente sejam.
O mais engraçado disso é que quero - falo no singular tendo certeza que que me refiro ao plural humano - tudo isso compartilhado. Fica esse sonho agudo no fundo da mente sonhando em compartilhar toda essa explosão de sentimentos, mas, então, eu teria que explicar, e conversar, e me esforçar em monitorar o sentimento da outra pessoa para ter certeza de acreditar que ela tenha entendido. E tudo isso é mesmo muito desgastante. Exercitar o silêncio. Exercitar o silêncio. Alguém, por favor, pode ensinar essas mil vozes dentro da minha cabeça a exercitarem o silencio?
E aí está outra contradição. Querer companhia, mas não querer vozes. Querer compreensão mas negar-se a explicação. E, assim, encontro conforto nesse quadrado mal layoutado do blogger, coisa que o word não me oferece (nem o conforto nem a feiura do layout). E assim, ocupada em falar com os dedos, calo a minha cabeça. Rá, te peguei dessa vez. Mas logo mais vem a preguiça outra vez. E desistem os dedos outra vez. E voltam as vozes outra vez. E me sinto sozinha, outra vez.
E aí está, mais um achismo. Ao reconhecer as vezes várias, acalmo a minha solidão, me dou conta de que não estou sozinha, estou acompanhada de todas as minhas vivências que já sentiram este mesmo sentimento. Olha quantas de mim me fazendo companhia. Será que alguma de mim me buscaria um copo d'água.
Como amo ficar vijando em textos descritivos e nada literários e, na minha ingênua fantasia, acreditar que isto tenha algum valor para a sociedade além dos meus eus. Acho que o próximo grande passo é eu assumir que não quero escrever para além de mim e, talvez assim, eu possa me devolver o meu prazer em escrever e me de a chance de ganhar muito mais do que algumas horas de uma madrugada perdida em caractéres.
Talvez eu escreva bobagens, talvez eu escreva a minha própria tábua de leis. De qualquer forma, estarei certa, basta escolher qual dos lobos irei alimentar.
Por hoje, quero alimentar o guardião das memórias esquecidas. Que eu as esqueça, as memórias com outras e só lembre por hoje dos encontros que tive comigo. Foram alguns dos melhores encontros que já tive.
Era um texto. Virou auto-ajuda. Terminou em oração.
Amém
Stranger, meet blue side. Blue side, meet stranger. . . . . . . Escrevendo em Guardanapos | Colocando em Moleskines | Pensamentos Perdidos | Achando lugar pra Pousar.
Mostrando postagens com marcador Que se Freud - Pensamento tele-psico-rapeuticos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Que se Freud - Pensamento tele-psico-rapeuticos. Mostrar todas as postagens
domingo, dezembro 20, 2009
sexta-feira, outubro 16, 2009
Pneumotórax HiperEMOTIVO
Mais um texto que começo fazendo uso da lígua do "uma vez".
Uma vez eu era mergulhadora e aprendi sobre Pneumotórax Hipertensivo. Basicamente é o nome do ao diagnóstico médico dado para uma super-expansão de oxigênio dentro dos pulmões, que pode levar a uma série de complicações como super oxigenção do sangue, erupções cutaneas e, até mesmo, ao rompimento dos pulmões. Eu jamais entederia sobre Pneumotórax Hipertensivo não fosse pelo curso obrigatório para obtensão da licença de mergulhador amador que fiz em idos de mil novecentos e muito tempo atrás.No mergulho, Pneumotórax Hipertensivo é uma coisa séria e até comum, uma vez que, tendo trocado as guelras por orelhas a algum tempo atrás na escalada evolutiva nós, homens, precisamos fazer uso de cilíndros de ar comprimido para respirarmos embaixo das altas pressões aquáticas.
Tentando fugir de termos muito técnicos, de forma simplificada, é mais ou menos assim que acontece: ao nível do mar, vivemos no que foi denominado1 ATM, é a medida de pressão atmosférica que consideramos "normal" para os seres humanos; quanto mais fundo se vai em direção ao centro da Terra, mais o "peso" da atmosféra faz pressão sobre nossas cabeças, aumentando, assim, a pressão atmosférica. Por convenção, a cada 10 metros abaixo do nível do mar temos o acrescimo de 1 ATM, assim, um mergulhador que está a 30 metros de profundidade está sofrendo 3 vezes mais pressão atmosférica do que seu amigo que ficou no barco tomando banho de sol.
E o que isso tem a ver com Pneumotórax Hipertensivo?
Acontece que, se no topo do Everest é difícil respirar porque o ar é rarefeito, no fundo do mar acontece o oposto. Com o aumento da pressão, as particulas de oxigênio se aproximam, comprimindo o ar e fazendo com que ele tenha o mesmo "poder", mas ocupe menos espaço. Sabe amaciante de roupas concentrado? Pois é, estamos falando de ar concentrado. Segue a mesma lógica.
Ocorre que, a 4 ATMs, o ar está ocupando 1/4 do espaço que normalmente ocuparia, mas nossos pulmões continuam cheios, o que significa dizer que temos 4 vezes mais ar dentro deles do que o que caberia em condições normais. O que significa que "Imagina o que acoteceria se passassemos de uma situação de 4 ATM para 1 ATM de uma vez só, sem intervalos de descompressão". O que significa que cheguei onde queria chegar: intervalos de descompressão.
* * *
Uma vez me disseram que uma vez Vinícius de Moraes constumava dizer uma frase. Ele dizia que não gostava de andar de avião porque o corpo chegava muito rápido e não dava tempo da alma acompanhar.
É exatamente assim que me sinto. Um dia de manhã eu fazia uma tatuagem e sentia o cheiro da liberdade em um corredor de hotel e, no mesmo dia a noite, 4 estados mais ao sul, a atmosféra pesava 4 vezes mais em obrigações e responsabilidades. Minha alma ainda flutua, mas meus pés já estão de novo calçados nos sapatos de chumbo do dia-a-dia.
Todo o tipo de viagem, sendo uma porta para outras realidades, deveria, mandatoriamente, incluir intervalos de descompressão da alma; para evitar quadros como o que me encontro agora: acho que estou sofrente de Pneumotórax Hiperemotivo.
terça-feira, setembro 08, 2009
Artífices dos Próprios Desejos
Vou começar esse texto falando na lígua de queridas amigas minhas. A língua do "uma vez".
Uma vez eu não acreditei que fosse póssivel sonhar com coisas e torná-las possíveis.
Por favor, não me entendam mal, sempre acreditei em realizar coisas audazes, por vezes impossíveis, a beirar o limite do bom senso. Mas aí está: realizar estas coisas impossíveis sempre aconteceu como que por acaso. Eu acredita muito na capacidade de realizar coisas, na capacidade do acaso de realizar coisas. Mas a minha sempre me pareceu meio desafortunada. Me parecia que era só sonhar para as coisas irem por terra.
Muda o assunto: uma vez tirei uma foto de uma bicicleta.
Faz tempo que não sou lá muito esportista, e mais tempo ainda que não presto muita atenção em bicicletas, deve ser fruto de uma infância mal-brincada... Mas uma vez tirei uma foto de uma bicicleta.
Eu estava em Portugal, logo no início da minha viagem e caminhava pelo Bairro Alto. Entre um sem fim de ruelas em aclive, passei por um lugar que me chamou muito a atenção. Tinha um Elvis em tamanho real com um violão a tira colo, logo na entrada. Ao lado, uma linda bicicleta roxa, que mais parecia uma moto. Tirei uma foto da bicicleta, meio que for impulso. Desejei a bicicleta, por poucos segundos. Depois de um tempo, esqueci a idéia. Mais tarde postei na internet a foto e a seguinte legenda: Roxa. Eu gosto de veículos europeus... E a minha história com aquela bicicleta roxa acabou por aí.
Muda o assunto: uma vez vi um filme e achei idiota.
O Segredo. Vocês já devem ter visto ou ouvido falar. O filme parece editado em Movie Maker, (pra não dizer power point) e reune o depoimentos de pessoas com profissões como "visonário" que dão formulas mágicas para se ser rico, lindo e feliz.
Depois dos 3 primeiros segundos ébrios onde acreditei que eu também poderia ser linda, rica e feliz, coloquei de volta o chão nos meus pés. Não que tudo isso não possa acontecer, mas não de forma tão patética e mágica.
Depois dos 3 primeiros segundos ébrios onde acreditei que eu também poderia ser linda, rica e feliz, coloquei de volta o chão nos meus pés. Não que tudo isso não possa acontecer, mas não de forma tão patética e mágica.
O filme reúne alguns preceitos bem interessantes da cabala e joga tudo dentro de uma cartola preta, prometendo que qualquer um consegue tirar um coelho. Mas minha memória funciona de forma estranha e, embora eu tenha dificuldade pra lembrar que parte íntima da minha vida acabei de contar para uma quase estranho, consigo me lembrar perfeitamente de cenas de filmes que achei idiota. É esse o caso.
Lembro de uma cena em especial, um homem. Na minha memória ele era gordinho. Ficou milhonário, não lembro como, tirando esses tais coelhos da cartola, talvez. Contava feliz da vida como ele era rico e feliz e sua vida era completa e ensinava a técnica de como desejar as coisas e mentalizá-las e conseguí-las. Ele deu um exemplo em especial, disse que uma vez havia visto uma casa em uma revista, gostou da casa e desejou: quero essa casa. Parte da técnica para alcançar sonhos que ele ensiva consistia em tirar fotos ou escrever as coisas que queremos e guardar, logo, ele arrancou a página da revista e guardou a tal foto da casa. Tempos depois, já milhonário, ele construiu a casa de seus sonhos, quadras de tênis, todos os tipos de psicinas, saunas, cozinhas, escadas rolantes, cinemas, tudo como uma casa deve ser. No meio da mundança, encontrou uma velha caixa onde ele havia, a tempos atrás, guardados um quadro com imagens de coisas que ele desejava. Diz o tal senhor milhonário que ao olhar o quadro ficou abismado, tinha construído a mesma casa, "idêntica", a que estava presa do quadro.
Nessa hora eu pensei: ok, história pra boi dormir. E segui minha vida, minha história com essa cena do filme acabou por aí.
Faz mais de ano. Vi um amigo com uma bicicleta que dobrava e pensei: quero uma dessas. Logo eu, que nunca fui muito esportista. E então, pronto, quis porque quis uma bicicleta. Fui até na loja mais cara da cidade olhar bicicletas e, pra minha desgraça, gostei logo da mais cara. Um modelo retrô, ou vintage, como queiram. Cheia de um monte de bibibis que nem me lembro, só lembro que era linda. Depois desse dia, pronto, quis porque quis uma bicicleta, e tinha que ter cara de "antigamente-na-frança", com cestinho e tudo.
Passou-se o tempo e o desejo da bicicleta ficou lá, adormecido. Não pensei muito mais em bicicletas, mas toda vez que via uma retrô, como a da minha professora de contos, pensava: quero uma bicicleta retrô.
A mais de um ano fui ao interior do estado e foi amor a primeira vista. Descobri que lá era o paraíso das bicicletas retrô. Desde então voltei lá algumas vezes, repetindo a cada ida que "eu queria comprar uma bicicleta". Passou de desejo a mito, a caricatura e até mesmo a desculpa para enrolar um aniversariante no dia da sua festa surpresa.
Final de semana passado eu voltei ao interior do estado e comprei uma bicicleta. Ela é exatamente como eu queria. É retrô, é pequena como eu, tem cesto pra carregar flores e todas as exigências estéticas que me cabiam. Passei o dia lambendo a minha bicicleta, se era pra ir até a esquina, eu fui de bicicleta.
Lá pelas tantas comecei a achar estranho o quão familiar aquela bicicleta me era. Era minha, ok , eu comprei, eu escolhi, mas era como se eu já tivesse visto em algum lugar. Até que, lá pelas tantas, me dei conta que eu já tinha visto ela em algum lugar. Tinha até fotografado uma, muito parecida. Há mais de 3 anos e um oceano de distância.
Nessa hora eu pensei: ok, história pra boi dormir. E segui minha vida, minha história com essa cena do filme acabou por aí.
Muda o assunto: uma vez encasquetei que queria uma bicicleta.
Faz mais de ano. Vi um amigo com uma bicicleta que dobrava e pensei: quero uma dessas. Logo eu, que nunca fui muito esportista. E então, pronto, quis porque quis uma bicicleta. Fui até na loja mais cara da cidade olhar bicicletas e, pra minha desgraça, gostei logo da mais cara. Um modelo retrô, ou vintage, como queiram. Cheia de um monte de bibibis que nem me lembro, só lembro que era linda. Depois desse dia, pronto, quis porque quis uma bicicleta, e tinha que ter cara de "antigamente-na-frança", com cestinho e tudo.
Passou-se o tempo e o desejo da bicicleta ficou lá, adormecido. Não pensei muito mais em bicicletas, mas toda vez que via uma retrô, como a da minha professora de contos, pensava: quero uma bicicleta retrô.
A mais de um ano fui ao interior do estado e foi amor a primeira vista. Descobri que lá era o paraíso das bicicletas retrô. Desde então voltei lá algumas vezes, repetindo a cada ida que "eu queria comprar uma bicicleta". Passou de desejo a mito, a caricatura e até mesmo a desculpa para enrolar um aniversariante no dia da sua festa surpresa.
Final de semana passado eu voltei ao interior do estado e comprei uma bicicleta. Ela é exatamente como eu queria. É retrô, é pequena como eu, tem cesto pra carregar flores e todas as exigências estéticas que me cabiam. Passei o dia lambendo a minha bicicleta, se era pra ir até a esquina, eu fui de bicicleta.
Lá pelas tantas comecei a achar estranho o quão familiar aquela bicicleta me era. Era minha, ok , eu comprei, eu escolhi, mas era como se eu já tivesse visto em algum lugar. Até que, lá pelas tantas, me dei conta que eu já tinha visto ela em algum lugar. Tinha até fotografado uma, muito parecida. Há mais de 3 anos e um oceano de distância.
A bici de cima foi a que eu desejei em Portugal. A bici de baixo foi a que eu compre este final de semana...
... e eu que uma vez não acreditava em sonhar, em filmes idiotas e em bicicletas....
... e eu que uma vez não acreditava em sonhar, em filmes idiotas e em bicicletas....
terça-feira, agosto 25, 2009
Hoje é Quarta-Feira
Hoje é quarta-feira de acalmar os ânimos, um dia antes de quinta-feira de pensar e de sentir. E, só hoje as coisas começam a se assentar.
Talvez tu não saiba, mas essa semana nós brigamos muito. Ou melhor, eu briguei muito contigo. Até ontem "nós" estavamos de mal. Mas hoje algo acordou diferente em mim.
Ontem passei o dia fazendo tabelas, calculando quantas horas trabalhei no mês . Hoje consegui cobrar umas horas que faltavam do meu chefe, tudo muito tranquilo, muito feliz. E me senti diferente em relação a ti. Como diria o meu repudiado ex-chefe Pablo, "quem organiza por fora, organiza por dentro" e acho que ontem acabei, sem querer, organizando algumas coisas por dentro também.
Na última sexta-feira, 3 gatos cruzaram o meu caminho. E dois eram pretos. Não sei se foi prenúncio de azar ou, como são as cartas, somente uma reafirmação do meu estado de espírito. Sei que a semana foi turbulenta e, não tenho nenhum problema em dizer, foi turbulenta ainda por causa da quinta-feira.
Nossa, como foi um churrasco pesado aquela quinta, demorei muito pra digerir. De noite eu ainda esta brava, triste, chateada. Escrevi. Passaram-se os dias e continuei confusa, em dúvida, sem saber o que pensar, o que sentir ou como agir na próxima quinta-feira.
Foram dias onde muitas coisas se definiram e eu me dividi entre a vontade e o medo de te contar. A insegurança de quem não faz a menor idéia de como agir. Eu esperava reagir de alguma maneira, mas como tu sempre, bastante deliberadamente, me força (ou dirige) a agir, enfrentar o início constrangedor de cada inicio de sessão, passei muito tempo tentando achar uma resposta para como agir hoje. Foi muito confuso. Mas hoje me sinto estranhamente diferente. Sinto uma certa paz e volto a sentir somente a vontade de dividir as coisas contigo. Vontade sem medo.
Enquanto eu dirigia entre uma aula e outra hoje, investi meu tempo tentando entender porque chorei tanto. O que me abalou tanto nessas últimas semanas. Na verdade nem pensei muito, uma conclusão me veio meio derrepente (já na nova ortografia): Era o medo de ficar sem chão.
Tanto falamos em cair, o medo de cair, do DNA constante. Falamos muito em cair, mas pouco em chão e eu acho, Júlio, que esse é meu medo, perder o chão. Cair e continuar caindo e não ter quem, ou o que, me segurar.
Falamos muito em "por quê será?" na sessão passada. Tu indagativo. eu irônica. Mas agora me encontro sugestiva, aberta e proponho uma hipótese: Porque sempre achar que sempre vão me pedir DNA?
Será que não é por medo de não ter DNA. Talvez seja, talvez meu medo seja esse. Quem é o meu pai? Em ambos os sentidos: Se meu pai não for meu pai, então quem é? E meu pai sendo meu pai, quem ele é? Para ambas as perguntas: não sei.
Mas de uma coisa eu sei: eu chorei na sessão (escrevi aula antes, que ato falho) passada, foi de medo de perder o chão. Medo de perder o DNA da relação que construímos. Medo de perder o Júlio.
E daí talvez fique mais fácil tu não ficar tão brabo. E se a gente tentar entender não como "quero mais, quero mais, quero mais" e sim como "preciso muito, preciso muito", o que será que muda? Na sessão passada chorei por uma possibilidade de perda e acredito que seja essa possibilidade que me move tanto.
No meio de tudo isso, uma coisa fica clara: temos aqui um sentimento, Júlio. Acho que vemos o exemplo mais forte do quanto tu te tornou importante e, se um dia tu te dispôs a quebrar os pratos e desistir de uma paciente que "não confiava" em ti, passados alguns meses, vemos uma gigante diferença. E esse foi o choro. O choro de quem nutre algo e que tem medo de perder, muito. Agora só falta ajustar o sentimento a hora e o local exatos, colocar a flor dentro da cúpula.
E falando em Pequeno Príncipe, me ocorre o pensamento de que agora tu também está envolvido. Terapia é um "jogo" que parece unilateral. Alguém só um se apresenta vulnerável. Mas talvez não, agora eu percebo, ou talvez sinta que "tu te torna eternamente responsável por aquilo que cativas". E, sendo assim, tu também não está imune. Já que cativaste, Júlio, com o perdão do trocadilho, agora toma, que o filho é teu.
DNA.
Talvez tu não saiba, mas essa semana nós brigamos muito. Ou melhor, eu briguei muito contigo. Até ontem "nós" estavamos de mal. Mas hoje algo acordou diferente em mim.
Ontem passei o dia fazendo tabelas, calculando quantas horas trabalhei no mês . Hoje consegui cobrar umas horas que faltavam do meu chefe, tudo muito tranquilo, muito feliz. E me senti diferente em relação a ti. Como diria o meu repudiado ex-chefe Pablo, "quem organiza por fora, organiza por dentro" e acho que ontem acabei, sem querer, organizando algumas coisas por dentro também.
Na última sexta-feira, 3 gatos cruzaram o meu caminho. E dois eram pretos. Não sei se foi prenúncio de azar ou, como são as cartas, somente uma reafirmação do meu estado de espírito. Sei que a semana foi turbulenta e, não tenho nenhum problema em dizer, foi turbulenta ainda por causa da quinta-feira.
Nossa, como foi um churrasco pesado aquela quinta, demorei muito pra digerir. De noite eu ainda esta brava, triste, chateada. Escrevi. Passaram-se os dias e continuei confusa, em dúvida, sem saber o que pensar, o que sentir ou como agir na próxima quinta-feira.
Foram dias onde muitas coisas se definiram e eu me dividi entre a vontade e o medo de te contar. A insegurança de quem não faz a menor idéia de como agir. Eu esperava reagir de alguma maneira, mas como tu sempre, bastante deliberadamente, me força (ou dirige) a agir, enfrentar o início constrangedor de cada inicio de sessão, passei muito tempo tentando achar uma resposta para como agir hoje. Foi muito confuso. Mas hoje me sinto estranhamente diferente. Sinto uma certa paz e volto a sentir somente a vontade de dividir as coisas contigo. Vontade sem medo.
Enquanto eu dirigia entre uma aula e outra hoje, investi meu tempo tentando entender porque chorei tanto. O que me abalou tanto nessas últimas semanas. Na verdade nem pensei muito, uma conclusão me veio meio derrepente (já na nova ortografia): Era o medo de ficar sem chão.
Tanto falamos em cair, o medo de cair, do DNA constante. Falamos muito em cair, mas pouco em chão e eu acho, Júlio, que esse é meu medo, perder o chão. Cair e continuar caindo e não ter quem, ou o que, me segurar.
Falamos muito em "por quê será?" na sessão passada. Tu indagativo. eu irônica. Mas agora me encontro sugestiva, aberta e proponho uma hipótese: Porque sempre achar que sempre vão me pedir DNA?
Será que não é por medo de não ter DNA. Talvez seja, talvez meu medo seja esse. Quem é o meu pai? Em ambos os sentidos: Se meu pai não for meu pai, então quem é? E meu pai sendo meu pai, quem ele é? Para ambas as perguntas: não sei.
Mas de uma coisa eu sei: eu chorei na sessão (escrevi aula antes, que ato falho) passada, foi de medo de perder o chão. Medo de perder o DNA da relação que construímos. Medo de perder o Júlio.
E daí talvez fique mais fácil tu não ficar tão brabo. E se a gente tentar entender não como "quero mais, quero mais, quero mais" e sim como "preciso muito, preciso muito", o que será que muda? Na sessão passada chorei por uma possibilidade de perda e acredito que seja essa possibilidade que me move tanto.
No meio de tudo isso, uma coisa fica clara: temos aqui um sentimento, Júlio. Acho que vemos o exemplo mais forte do quanto tu te tornou importante e, se um dia tu te dispôs a quebrar os pratos e desistir de uma paciente que "não confiava" em ti, passados alguns meses, vemos uma gigante diferença. E esse foi o choro. O choro de quem nutre algo e que tem medo de perder, muito. Agora só falta ajustar o sentimento a hora e o local exatos, colocar a flor dentro da cúpula.
E falando em Pequeno Príncipe, me ocorre o pensamento de que agora tu também está envolvido. Terapia é um "jogo" que parece unilateral. Alguém só um se apresenta vulnerável. Mas talvez não, agora eu percebo, ou talvez sinta que "tu te torna eternamente responsável por aquilo que cativas". E, sendo assim, tu também não está imune. Já que cativaste, Júlio, com o perdão do trocadilho, agora toma, que o filho é teu.
DNA.
quinta-feira, agosto 20, 2009
Eu queria sentir só nas quintas-feiras.
Talvez a vida fosse bem mais fácil com horário marcado. Talvez fosse bem mais enfartante também, com todos os sentimentos e pensamentos reservados para os 45 minutos das 14:00 as 14:45.
Mas infelizmente eu penso e sinto mais do que somente as quintas-feiras. Penso (quase) todos os dias e sinto diáriamente, as vez mais de uma vez por dia, entre e inclusive durante as refeições. Eu sinto em horários esdrúxulos e sem hora marcada, e insisto em sentir mais durante as madrugadas. Eu sinto sem lógica marcada também, e quando sinto que sinto, dou graças a Deus e me permito sentir, qualquer coisa que seja.
Eu me atraso sempre e quando eu não quero estar em algum lugar, e demorei 22 pra descobrir isso. Eu quero mais, eu sempre quero mais, e não demorei 22 anos pra descobrir isso, sei que sei disso mais ou menos desde os 15 anos, quando nada me era completo. Mas demorei 22 anos pra descobrir que me sinto julgada quando tu fala sobre voracidade, direto e seco, daí da cadeira do doutor. Ainda não consegui muito bem fazer a diferença entre voracidade e ambição. Existem pessoas que são ambiciosas e não são vorazes? E pessoas que são vorazes e não ambiciosas? Eu não sei. Eu até hoje não sei se sou ou não ambiciosa... E mais importante de tudo, ainda não me decidi se isso é bom ou ruim. Só não quero ser julgada antes de decidir qual é o meu julgamento. Isso já traz outra discussão, mas essa fica para uma próxima quinta-feira.
Mas fato é, daí, da cadeira do doutor, às vezes vem lógica inegável. Lógica tão lógica que as vezes chega a ser chata e ferir o meu pequeno besta orgulho. Mas inegável lógica. Só que às vezes vem julgamento. Às vezes vem valor tão cheio de juízo que me dói, muito. É quando mais me dói a cadeira do paciente. O paciente deveria ter paciência, não? Ou seria o doutor que tem que ter paciência? Português é uma língua confusa.
Confusão. "Tu gosta da confusão porque tu sente que tem uma vantagem". NAO! Aí como isso me dói. Como isso me doeu na quinta-feira em que eu tinha que sentir e ao mesmo tempo te deixei puto da cara porque não estava "sentido do jeito certo". Porra, eu tava só chorando. Vamos tirar o juízo de valor por um momento? Eu não fico acéfala quando choro. E gostaria muito que as pessoas ao meu redor não perdessem a sensibilidade quando pensam. E isso inclui a ti. Ok. I get it. É o choque do paciente, é o grito do diretor ditando o clima do set. I get it. É o teu jeito. Ficar puto com ladaínha, acho até que vez por outra tu grita pra conter a vontade de virar as costas e bater a porta. Ai como gente é um bixo chato, tu pensa. E lá se foi a paciência do doutor.... Talvez eu seja de fato bem confusa. Talvez eu faça graça com isso. Talvez um monte de coisas. Mas dizer que eu gosto, que me sinto em vantagem? Não sei não, Júlio. A antítese eu já concordei. Já entrei em paz com o gostar dos extremos e bla bla bla. Mas essa da confusão acho que vem mudando. Eu gosto muito de pão, pão; queijo, queijo. Gosto que as coisas sejam tão distintas a ponto de se fazer sanduíche.
Ter as coisas claras foi o que me levou a, no blog, fazer um post sobre assuntos do blog. Fazer um comentário secreto pedindo ajuda. E fazer outro comentário falando do tema, da política do mundo. Era sobre isso mesmo que se falava ali: confusão. Aquele era um post. Uma opinião. Uma participação clara. Cada um no seu quadrado. Para mim, um diálogo. Não vi confusão ali. Nem monólogo. Talvez tu tenha visto mais do que eu. Eu me preocupei ali em dialogar com o que tu dizia, com o que a outra criatura dizia e ainda com o que eu dizia, no caso do post político e este não ter sido publicado, sim, me causou confusão. Foi pra mim uma mensagem clara e direta de: "área restrita para pessoal autorizado". Difícil restringir uma área em um espaço público. Difícil ter uma vida pública privada sem ter a vida privada pública. Não, Júlio? No caso do de ajuda foi diferente, a minha tentativa foi estabelecer um diálogo, dizendo : oi! preciso de ajuda! me ajuda? Inclusive pedindo uma consulta extra para falar no consultório sobre coisas do consultório. Foi mesmo tão confuso? Foi mesmo tão solitário. Da minha parte não.
Infelizmente, foram sentimentos que não vieram na quinta-feira.
Já os que vieram na quinta-feira seguinte, esses sim, foram confusão pura. "É o que acontece no processo criativo" tu diz. É a prática posta a prova que não funciona. Great. Acho lindo. Beleza. Mas será que alguém podia me avisar antes? Pra mim o que aconteceu foi contradição. E me desculpa por pensar que poderia ter afetado o inafetável Julio, me desculpa por ousar pensar que tu poderia entrar em uma defensiva qualquer. Talvez defensiva tenha sido a palavra errada. Mas que tu foi mais ríspido, foi. Que tu foi mais duro, foi. E que eu sai de lá me sentindo acusada de crime inafinaçável por talvez sentir por alguém um carinho paterno, sim, eu saí.
E aí eu me sinto a coitadinha por ter feito tuuuuuuudo certo e bla bla bla. Que diabos de certo ou errado está acontecendo? Tu, quando não entende, fica horas olhando pras coisas. Eu, choro. Adoraria ser o cérebro racional e inabalável e ainda assim ser artista sensível e ator mestre marionete dos meus próprios sentimentos. Talvez se eu fosse assim meu nome fosse Júlio César cheio de acentos e eu fosse imperador de Roma. Eu não alcanço a tua racionalidade Júlio, não consigo, tenho as pernas curtas eu quando não estou a uma determinada distância, não consigo nem ver a tua reação na porta do consultório sem olhar pra cima. Foi o que aconteceu na última quinta-feira. Distância de menos, gap demais entre o teu pensar e o meu sentir. Acabei olhando pra baixo, agora só consigo imaginar possíveis reações tuas.
Isso foi um desabafo, mais do que qualquer outra coisa. Não quero ofender, acertar, ganhar perder, certo errado. Nada disso. Vim tentar escrever pra ver se acendia a luz. Acabei escrevendo pra alguém, ainda tenho uma semana pra decidir se te entrego ou não. Essa é uma das vantagens de só se pensar nas quintas-feiras....
De uma maneira ou de outra, acho até poético tudo isso. Um caminho bem torto pra se chegar a um possível resultado incrível, já que estamos tendo a oportunidade de estudar os meus "problemas de relacionamento" de dentro de um relacionamento, de determinado tipo, com e sem problemas. É como a neurocientista que teve um derrame e fez um livro de neurociência analizando um derrame "de dentro".
O personagem acabe de ler. Coloca o papel sobre a mesa. A sessão acaba. A Paciente sai da sala.
FIM
O final perfeito de uma ficção sem confronto. Certamente não vai ser assim. Agora é a hora eu que eu respiro fundo e me preparo pra mais um choque de realidade vindo da cadeira em frente.
Talvez a vida fosse bem mais fácil com horário marcado. Talvez fosse bem mais enfartante também, com todos os sentimentos e pensamentos reservados para os 45 minutos das 14:00 as 14:45.
Mas infelizmente eu penso e sinto mais do que somente as quintas-feiras. Penso (quase) todos os dias e sinto diáriamente, as vez mais de uma vez por dia, entre e inclusive durante as refeições. Eu sinto em horários esdrúxulos e sem hora marcada, e insisto em sentir mais durante as madrugadas. Eu sinto sem lógica marcada também, e quando sinto que sinto, dou graças a Deus e me permito sentir, qualquer coisa que seja.
Eu me atraso sempre e quando eu não quero estar em algum lugar, e demorei 22 pra descobrir isso. Eu quero mais, eu sempre quero mais, e não demorei 22 anos pra descobrir isso, sei que sei disso mais ou menos desde os 15 anos, quando nada me era completo. Mas demorei 22 anos pra descobrir que me sinto julgada quando tu fala sobre voracidade, direto e seco, daí da cadeira do doutor. Ainda não consegui muito bem fazer a diferença entre voracidade e ambição. Existem pessoas que são ambiciosas e não são vorazes? E pessoas que são vorazes e não ambiciosas? Eu não sei. Eu até hoje não sei se sou ou não ambiciosa... E mais importante de tudo, ainda não me decidi se isso é bom ou ruim. Só não quero ser julgada antes de decidir qual é o meu julgamento. Isso já traz outra discussão, mas essa fica para uma próxima quinta-feira.
Mas fato é, daí, da cadeira do doutor, às vezes vem lógica inegável. Lógica tão lógica que as vezes chega a ser chata e ferir o meu pequeno besta orgulho. Mas inegável lógica. Só que às vezes vem julgamento. Às vezes vem valor tão cheio de juízo que me dói, muito. É quando mais me dói a cadeira do paciente. O paciente deveria ter paciência, não? Ou seria o doutor que tem que ter paciência? Português é uma língua confusa.
Confusão. "Tu gosta da confusão porque tu sente que tem uma vantagem". NAO! Aí como isso me dói. Como isso me doeu na quinta-feira em que eu tinha que sentir e ao mesmo tempo te deixei puto da cara porque não estava "sentido do jeito certo". Porra, eu tava só chorando. Vamos tirar o juízo de valor por um momento? Eu não fico acéfala quando choro. E gostaria muito que as pessoas ao meu redor não perdessem a sensibilidade quando pensam. E isso inclui a ti. Ok. I get it. É o choque do paciente, é o grito do diretor ditando o clima do set. I get it. É o teu jeito. Ficar puto com ladaínha, acho até que vez por outra tu grita pra conter a vontade de virar as costas e bater a porta. Ai como gente é um bixo chato, tu pensa. E lá se foi a paciência do doutor.... Talvez eu seja de fato bem confusa. Talvez eu faça graça com isso. Talvez um monte de coisas. Mas dizer que eu gosto, que me sinto em vantagem? Não sei não, Júlio. A antítese eu já concordei. Já entrei em paz com o gostar dos extremos e bla bla bla. Mas essa da confusão acho que vem mudando. Eu gosto muito de pão, pão; queijo, queijo. Gosto que as coisas sejam tão distintas a ponto de se fazer sanduíche.
Ter as coisas claras foi o que me levou a, no blog, fazer um post sobre assuntos do blog. Fazer um comentário secreto pedindo ajuda. E fazer outro comentário falando do tema, da política do mundo. Era sobre isso mesmo que se falava ali: confusão. Aquele era um post. Uma opinião. Uma participação clara. Cada um no seu quadrado. Para mim, um diálogo. Não vi confusão ali. Nem monólogo. Talvez tu tenha visto mais do que eu. Eu me preocupei ali em dialogar com o que tu dizia, com o que a outra criatura dizia e ainda com o que eu dizia, no caso do post político e este não ter sido publicado, sim, me causou confusão. Foi pra mim uma mensagem clara e direta de: "área restrita para pessoal autorizado". Difícil restringir uma área em um espaço público. Difícil ter uma vida pública privada sem ter a vida privada pública. Não, Júlio? No caso do de ajuda foi diferente, a minha tentativa foi estabelecer um diálogo, dizendo : oi! preciso de ajuda! me ajuda? Inclusive pedindo uma consulta extra para falar no consultório sobre coisas do consultório. Foi mesmo tão confuso? Foi mesmo tão solitário. Da minha parte não.
Infelizmente, foram sentimentos que não vieram na quinta-feira.
Já os que vieram na quinta-feira seguinte, esses sim, foram confusão pura. "É o que acontece no processo criativo" tu diz. É a prática posta a prova que não funciona. Great. Acho lindo. Beleza. Mas será que alguém podia me avisar antes? Pra mim o que aconteceu foi contradição. E me desculpa por pensar que poderia ter afetado o inafetável Julio, me desculpa por ousar pensar que tu poderia entrar em uma defensiva qualquer. Talvez defensiva tenha sido a palavra errada. Mas que tu foi mais ríspido, foi. Que tu foi mais duro, foi. E que eu sai de lá me sentindo acusada de crime inafinaçável por talvez sentir por alguém um carinho paterno, sim, eu saí.
E aí eu me sinto a coitadinha por ter feito tuuuuuuudo certo e bla bla bla. Que diabos de certo ou errado está acontecendo? Tu, quando não entende, fica horas olhando pras coisas. Eu, choro. Adoraria ser o cérebro racional e inabalável e ainda assim ser artista sensível e ator mestre marionete dos meus próprios sentimentos. Talvez se eu fosse assim meu nome fosse Júlio César cheio de acentos e eu fosse imperador de Roma. Eu não alcanço a tua racionalidade Júlio, não consigo, tenho as pernas curtas eu quando não estou a uma determinada distância, não consigo nem ver a tua reação na porta do consultório sem olhar pra cima. Foi o que aconteceu na última quinta-feira. Distância de menos, gap demais entre o teu pensar e o meu sentir. Acabei olhando pra baixo, agora só consigo imaginar possíveis reações tuas.
Isso foi um desabafo, mais do que qualquer outra coisa. Não quero ofender, acertar, ganhar perder, certo errado. Nada disso. Vim tentar escrever pra ver se acendia a luz. Acabei escrevendo pra alguém, ainda tenho uma semana pra decidir se te entrego ou não. Essa é uma das vantagens de só se pensar nas quintas-feiras....
De uma maneira ou de outra, acho até poético tudo isso. Um caminho bem torto pra se chegar a um possível resultado incrível, já que estamos tendo a oportunidade de estudar os meus "problemas de relacionamento" de dentro de um relacionamento, de determinado tipo, com e sem problemas. É como a neurocientista que teve um derrame e fez um livro de neurociência analizando um derrame "de dentro".
O personagem acabe de ler. Coloca o papel sobre a mesa. A sessão acaba. A Paciente sai da sala.
FIM
O final perfeito de uma ficção sem confronto. Certamente não vai ser assim. Agora é a hora eu que eu respiro fundo e me preparo pra mais um choque de realidade vindo da cadeira em frente.
Assinar:
Postagens (Atom)
