Nunca tinha acontecido isso à ela. Ficar assim sem ar, não era normal. Estava tonta, girava, mas não eram as habituais paredes do quarto, afinal, que girem as paredes do quarto, isso já é habitual, ao chegar da noite. Mas agora não, elas não giravam, se sentia girar por dentro, talvez fosse sua alma que girasse, lhe passava pela a cabeça a ideia de que sua alma era um balão e que, agora, só por graça, tinham-lhe decidido estourar, e entao a alma-balão girava caoticamente dentro do espaço daquele crânio, perdida. Mas também pudera. Não é todo dia que se joga tudo pra alto assim. Vou repetir, não é todo dia que se joga assim. Mais uma vez, talvez de outra maneira, não é todo dia que joga-se desta maneira. Joga-se a si, isso, foi isso que lhe passou, está no furacão do mágico de oz, em um instante e a vida já será outra.
Vou explicar o que se passou:
Era assim, vivia a sua vida nada habitual, a qual, com alguns esforço, estava a se habituar.Atendeu mais um cliente, eram um grupo e foi gentil, por habito, era-lhe habitual ser gentil.
Bla bla bla bla bla, Brasil, bla bla bla bla França.
Fotos, bla bla bla, e-mails.
Bla bla bla convite, bla bla bla aceita.
Isso por si só já era bastante para se furar o balão-alma, aventurar-se a ser hospede de alguem que embora muito gentil nao seja exatamente alguem que se conhece bem em uma terra estranha, com um idioma estranho e bla bla bla. Mas eram 5 dias, logo, o maximo que poderia acontecer seria um pouco de bla bla bla furado e voltaria a casa, meio frustrada talvez, mas nada de mais.
Entao, de repente, vai a internet procurar mudança, assim, por habito, porque tem por habito mudar. Até demais, é um mal habito eu diria... E então acha essa tal coisa. Decide entao fazer um curso, por que não, mas decide por habito, eu vou fazer, eu vou fazer tudo, e hoje de noite vou tentar conquistar o mundo e o mesmo bla bla bla habitual.
Mas vai longe, liga, inscreve, é aceita.
Choque. Nada mais de Bla bla bla.
Vai pra Paris no mesmo dia, mas não pra passar 5 dias.
Vai jogar tudo pro alto. Vai jogar-se pro alto.
Desde que começara o emprego se pergunta o porque de estar lá, parecia que havia um porque.
Desde que decidira ir a Paris se perguntava-se, sonhava, que essa viagem reservasse algo. Lhe é habitual sonhar com essas coisas.
Agora, aparentemente, vai a Paris passar o mês a estudar cinema.
Nada habitual.
Um sonho sonhado pra se tornar um sonho vivido.
Acho natural que lhe faltasse ar....
Stranger, meet blue side. Blue side, meet stranger. . . . . . . Escrevendo em Guardanapos | Colocando em Moleskines | Pensamentos Perdidos | Achando lugar pra Pousar.
sábado, junho 24, 2006
quarta-feira, março 29, 2006
Tudo aconteceu de manhã.
Era negro. Absolutamente negro. Olhos verdes. Absolutamente verdes.
Olhava como se já soubesse tudo. Olhava como se fosse impossível esconder-lhe qualquer coisa que fosse.
* * *
Vinha da noite. Acordara a tremer. A bebida ainda não lhe havia saído do corpo.
Seguia a rotina normal. Absolutamente rotina. Sua absolutamente não rotineira, rotina.
Toca o despertador.
Mãos a bater no criado mudo, procurando, no escuro, emudecer aquela coisa infernal a lhe atrapalhar o sono.
Isso era igual em qualquer lugar. Dentro de todo o caos em que vivia o ato de depositar seu mau humor matinal no despertador era uma constante, uma regra na sua vida sem regras.
Achou, com as mãos, o barulho. Considerou ignorar seus compromissos. Já acordada, considerou não acordar. Desligou o despertador. Não conseguiu mais dormir.
Quase uma hora depois, movida pela imensa sede que sempre se segue a uma noite etílica, fez o corajoso ato de levantar-se.
Olhou o relógio. "Será que ainda dá tempo?". Considerou ignorar seus compromissos. "É, ainda dá tempo...".
Seguiu-se de atos banais: Banhar-se, escovar-se, pentear-se, vestir-se. Vestir-se.
Foi a janela sentir o ar.
* * *
Tudo acontece de manhã.
Era negro. Absolutamente negro.
Olhos verdes. Absolutamente verdes.
Olhos verdes que se opunham aos dela.
Olhos negros. Absolutamente negros.
E se encontraram os olhos.
Negro. Estático. Imóvel. Somente aqueles farois verdes a fitá-la eram suficientes. Nem um movimento sequer, somente olhava. E olhava como se já soubesse de tudo. Olhava como se fosse impossível esconder-lhe qualquer coisa que fosse.
Pararam e, durante aqueles dez segundos, o tempo parou. Entenderam-se com perfeição. Distantes por metros sentiram-se como se fossem parte um do outro.
Piscou os olhos em um movimento lento, muito lento e, os olhos fechados faziam dele apenas mais uma imensa e enfeitiçante mancha negra. Voltou a abrí-los e foi como se fosse um feiticeiro a fazer encantos somente com os olhos...
* * *
Lembrou-se de que tinha aula. Lembrou-se de que tinha que vestir-se. Virou de costas para retornar segundos depois. Chegou a tempo de lhe pegar de saída. Já estava de costas. Fitaram-se mais uma vez.
Ele imóvel. Ela não. Foi tratar de vestir-se.
Sim, voltou. Mas quando voltou, ele já não estava mais lá.
Era um nômade, um errante, um cigano. Como ela. Aquela não era a sua casa. Como ela. Estavam os dois lá por acaso, por engano.
Estava atrasada. Tratou de correr. A passos rápidos pelo caminho ainda pensava nequela figura negra de olhos luminosos. Sentiu-se como se tivesse encontrado uma parte sua, olhar para ele era como olhar para um espelho. Baixou a cabeça. Checou o relógio.
"Aquele gato era eu".
E pegou o ônibus.
Era negro. Absolutamente negro. Olhos verdes. Absolutamente verdes.
Olhava como se já soubesse tudo. Olhava como se fosse impossível esconder-lhe qualquer coisa que fosse.
* * *
Vinha da noite. Acordara a tremer. A bebida ainda não lhe havia saído do corpo.
Seguia a rotina normal. Absolutamente rotina. Sua absolutamente não rotineira, rotina.
Toca o despertador.
Mãos a bater no criado mudo, procurando, no escuro, emudecer aquela coisa infernal a lhe atrapalhar o sono.
Isso era igual em qualquer lugar. Dentro de todo o caos em que vivia o ato de depositar seu mau humor matinal no despertador era uma constante, uma regra na sua vida sem regras.
Achou, com as mãos, o barulho. Considerou ignorar seus compromissos. Já acordada, considerou não acordar. Desligou o despertador. Não conseguiu mais dormir.
Quase uma hora depois, movida pela imensa sede que sempre se segue a uma noite etílica, fez o corajoso ato de levantar-se.
Olhou o relógio. "Será que ainda dá tempo?". Considerou ignorar seus compromissos. "É, ainda dá tempo...".
Seguiu-se de atos banais: Banhar-se, escovar-se, pentear-se, vestir-se. Vestir-se.
Foi a janela sentir o ar.
* * *
Tudo acontece de manhã.
Era negro. Absolutamente negro.
Olhos verdes. Absolutamente verdes.
Olhos verdes que se opunham aos dela.
Olhos negros. Absolutamente negros.
E se encontraram os olhos.
Negro. Estático. Imóvel. Somente aqueles farois verdes a fitá-la eram suficientes. Nem um movimento sequer, somente olhava. E olhava como se já soubesse de tudo. Olhava como se fosse impossível esconder-lhe qualquer coisa que fosse.
Pararam e, durante aqueles dez segundos, o tempo parou. Entenderam-se com perfeição. Distantes por metros sentiram-se como se fossem parte um do outro.
Piscou os olhos em um movimento lento, muito lento e, os olhos fechados faziam dele apenas mais uma imensa e enfeitiçante mancha negra. Voltou a abrí-los e foi como se fosse um feiticeiro a fazer encantos somente com os olhos...
* * *
Lembrou-se de que tinha aula. Lembrou-se de que tinha que vestir-se. Virou de costas para retornar segundos depois. Chegou a tempo de lhe pegar de saída. Já estava de costas. Fitaram-se mais uma vez.
Ele imóvel. Ela não. Foi tratar de vestir-se.
Sim, voltou. Mas quando voltou, ele já não estava mais lá.
Era um nômade, um errante, um cigano. Como ela. Aquela não era a sua casa. Como ela. Estavam os dois lá por acaso, por engano.
Estava atrasada. Tratou de correr. A passos rápidos pelo caminho ainda pensava nequela figura negra de olhos luminosos. Sentiu-se como se tivesse encontrado uma parte sua, olhar para ele era como olhar para um espelho. Baixou a cabeça. Checou o relógio.
"Aquele gato era eu".
E pegou o ônibus.
quarta-feira, março 08, 2006
Era um bom dia pra mudar sua vida
Tomava um conhaque num canto da cidade. A cada trago, fazia cara feia. Sentia mesmo era falta de chocolate, mas disfarçava. Ela era um mulher fatal, pois era e, portanto, o conhaque era o seu melhor amigo.
Cabelos curtos, lisos, um castanho avermelhado. Vestido preto, de alcinhas, cruzava nas costas. Costas magras. Mas não se enganem, não era uma deusa: Era uma mulher que tomava um conhaque.
Distribuiu sorrisos para uns conhecidos. Para outros, envergonhou-se, virou o rosto rápido.
Deu um gole, curto, seco. Fez cara feia, pensou: “Queria um chocolate”.
Queria também que ele se aproximasse. Imbecil, continuava com os amigos. Olhava bastante, mas lhe oferecer um chocolate que era bom...lhufas.
Olhou pro conhaque. Girou o conhaque. Pensou no conhaque.
* * *
Fazia nada naquela noite, como de costume. Pensou: “Hoje era um bom dia para mudar minha vida...”. Resolveu ir para o banho. O banho sempre lhe clareava as idéias.
- Ui, tá frio!
- Droga, não esquenta.
- Ai! Ai! Tá quente! Ta quente!
Shampoo. Sabonete. Viu seus rastros no sabonete. Os homens sempre deixam rastros... Começou a ensaboar-se.
- Bonecão do posto, tá maluco ta doidão...
- Besa-meeee! Besa-meeee muchoooo...
Largou o sabonete. Escreveu sei nome no box embassado. Virou o rosto para cima. Deixou que a água lhe tocasse a face, lhe levasse os cabelos.
- Besa-meeee! Besa-meeee muchoooo...
- Brrrrrr!
Sacudiu a cabeça. Pegou a toalha. Se secou. Passou a mão no espelho para poder se enxergar. Fez cara de galã, de mau. Contraiu os músculos. Se vestiu.
Havia decido ir no João, ia encontrar o pessoal, eles sempre estão lá.
Olho pro perfume, ponderou... “Ná, pra que gastar? Só vou ali no Jõao.”.
Abre a porta. Sai. Fecha a porta. Desce a escada. Caminha. Abre a porta. Sai. Fecha a porta. Cai no degrau. Caminha. Abre o portão. Sai. Fecha o portão. Caminha.
Dobrou a direita na esquina. No meio da quadra, direita de novo: o João. O pessoal estava lá, eles sempre estão lá.
Sentou. Riu.
- Ô Marcão!
- Fala chefe!
- Mais uma, por favor.
Ele queria algo mais forte, afinal, hoje era um bom dia para mudar sua vida. Mas todos bebiam cerveja, pediu uma.
- Ô Catraca, vê mais uma aí. E um conhaque para a mesa dois. Ô Zé, dá um chocolate aí!
“Conhaque. Era exatamente o que eu queria”.
Era exatamente o que ele queria. Virou-se pra ver quem era a mesa dois.
* * *
- Brigada Marcão. – Ela disse.
Viu o chocolate.
- Pra quem é esse chocolate?
- Alí pra mesa quinze.
“Chocolate. Era exatamente o que eu queria”. Era exatamente o que ela queria. Virou-se para ver quem era a mesa quinze.
Queria também que ele se aproximasse. Imbecil, continuava com os amigos. Olhava bastante, mas lhe oferecer um chocolate que era bom...lhufas.
Olhou pro conhaque. Girou o conhaque. Pensou no conhaque.
* * *
“Vou? Não? Vou! Não... Vou! Ai merda, to sem perfume.”.
* * *
- Tchau, Marcão.
E ele olhou a tempo de ver o X do vestido desaparecendo na porta...
Aquele era um bom dia para mudar sua vida. Se ao menos ele estivesse de perfume...
Cabelos curtos, lisos, um castanho avermelhado. Vestido preto, de alcinhas, cruzava nas costas. Costas magras. Mas não se enganem, não era uma deusa: Era uma mulher que tomava um conhaque.
Distribuiu sorrisos para uns conhecidos. Para outros, envergonhou-se, virou o rosto rápido.
Deu um gole, curto, seco. Fez cara feia, pensou: “Queria um chocolate”.
Queria também que ele se aproximasse. Imbecil, continuava com os amigos. Olhava bastante, mas lhe oferecer um chocolate que era bom...lhufas.
Olhou pro conhaque. Girou o conhaque. Pensou no conhaque.
* * *
Fazia nada naquela noite, como de costume. Pensou: “Hoje era um bom dia para mudar minha vida...”. Resolveu ir para o banho. O banho sempre lhe clareava as idéias.
- Ui, tá frio!
- Droga, não esquenta.
- Ai! Ai! Tá quente! Ta quente!
Shampoo. Sabonete. Viu seus rastros no sabonete. Os homens sempre deixam rastros... Começou a ensaboar-se.
- Bonecão do posto, tá maluco ta doidão...
- Besa-meeee! Besa-meeee muchoooo...
Largou o sabonete. Escreveu sei nome no box embassado. Virou o rosto para cima. Deixou que a água lhe tocasse a face, lhe levasse os cabelos.
- Besa-meeee! Besa-meeee muchoooo...
- Brrrrrr!
Sacudiu a cabeça. Pegou a toalha. Se secou. Passou a mão no espelho para poder se enxergar. Fez cara de galã, de mau. Contraiu os músculos. Se vestiu.
Havia decido ir no João, ia encontrar o pessoal, eles sempre estão lá.
Olho pro perfume, ponderou... “Ná, pra que gastar? Só vou ali no Jõao.”.
Abre a porta. Sai. Fecha a porta. Desce a escada. Caminha. Abre a porta. Sai. Fecha a porta. Cai no degrau. Caminha. Abre o portão. Sai. Fecha o portão. Caminha.
Dobrou a direita na esquina. No meio da quadra, direita de novo: o João. O pessoal estava lá, eles sempre estão lá.
Sentou. Riu.
- Ô Marcão!
- Fala chefe!
- Mais uma, por favor.
Ele queria algo mais forte, afinal, hoje era um bom dia para mudar sua vida. Mas todos bebiam cerveja, pediu uma.
- Ô Catraca, vê mais uma aí. E um conhaque para a mesa dois. Ô Zé, dá um chocolate aí!
“Conhaque. Era exatamente o que eu queria”.
Era exatamente o que ele queria. Virou-se pra ver quem era a mesa dois.
* * *
- Brigada Marcão. – Ela disse.
Viu o chocolate.
- Pra quem é esse chocolate?
- Alí pra mesa quinze.
“Chocolate. Era exatamente o que eu queria”. Era exatamente o que ela queria. Virou-se para ver quem era a mesa quinze.
Queria também que ele se aproximasse. Imbecil, continuava com os amigos. Olhava bastante, mas lhe oferecer um chocolate que era bom...lhufas.
Olhou pro conhaque. Girou o conhaque. Pensou no conhaque.
* * *
“Vou? Não? Vou! Não... Vou! Ai merda, to sem perfume.”.
* * *
- Tchau, Marcão.
E ele olhou a tempo de ver o X do vestido desaparecendo na porta...
Aquele era um bom dia para mudar sua vida. Se ao menos ele estivesse de perfume...
quinta-feira, fevereiro 23, 2006
LittleBig
- Shhh, Silence! They are trying to sleep.
- Who? who are trying ot sleep?
- My feelings, they are trying to sleep.
Eles querem sonhar,
Sonhar com tudo que ainda está por vir e esquecer,
Esquecer de tudo que se teima em lembrar.
Eles querem sonhar que a vida é um filme
E esquecer o que o roteirista escreveu
Querem deixar de pensar em tudo que acontece entre aquele encontro
E o telefonema
Entre o dia em que o telefone tocou
E outro desde quando ele nunca mais se ouviu
Meus sentimentos querem sonhar que são um filme
Que se assiste comendo pão de queijo e coca-cola
Querem sonhar que são um filme tão emocionante
Que as vezes comemos o pão de queijo rápido, um depois do outro,
pra tentar disfarçar a ansiedade com a próxima cena
Meu sentimentos querem dormir
Pra esquecer que há momentos em que bocejamos no cinema
Meus sentimentos querem dormir
Pra sonhar que são filme pra se ver sábado a noite,
Abraçadinho com quem se gosta,
Ou fazendo guerra de pipocas com os amigos.
Meu sentimentos não querem nunca virar filme de Sessão da Tarde
Mas eles sabem que tem momentos na vida em que viram filmes do Corujão
Para alimentar e acalentar a insonia alheia
E fazer acordar na madrugada,
outros sentimentos,
Vindos de um filme fracês,
Ou talvez delicados como um Bertolucci.
Meu sentimentos querem dormir,
pra sonhar que são filmes que se assiste sempre acompanhado, sempre.
Meus sentimentos querem acordar e sentir que viram o filme junto de alguéns.
Meu sentimentos querem acordar nos sentimentos de algúens.
Meus sentimentos querem ser filmes com cross-over,
Toda hora se enrredando com o sonho-filme de outros sentimentos.
Meus sentimentos não querem oscar de melhor diretor,
Querem um filme cheio de falhas, querem errar várias vezes ainda.
Com certeza não querem oscar de melhor maquiagem,
Meus sentimentos acordam com olheiras, com remelas e com a cara amaçada.
Eles não querem ser sentimentos maquiados e,
Jamais querem viver
Entre sentimentos mascarádos.
Mas com certeza desejam ganhar por melhor fotografia,
Se tem uma coisa que querem é ser um sonho de imagens lindas.
A vida toda emoldurada em uma bela paisagem.
Convém também. no mínimo, concorrer,
Por melhor trilha sonora,
Afinal, eles querem samba,
Samba na rotina,
Porque é rotina, mas não precisa ser monótona.
Eles querem rock,
Rock no banho, pra cantar sozinho e se lembrar que é feliz,
Ou pra escorregar, e lembar que tem que se cuidar pra não cair.
Eles querem Frank pra dançar sozinho na sala
E fazer caretas na frente do espelho.
Eles querem tango, tango na cama,
Tango na cama com companhia,
Pra se lembrar sempre do que é feito um amor.
Meus sentimentos querem dormir,
Pra sonhar que ganharam oscar por melhor edição,
Meus sentimentos querem sonhar pra esquecer o que gostariam de editar.
- Shhh, silence. They are trying to sleep.
- Who? who are trying ot sleep?
- My feelings, they are trying to sleep.
Little Big, Eles querem sonhar...
- Who? who are trying ot sleep?
- My feelings, they are trying to sleep.
Eles querem sonhar,
Sonhar com tudo que ainda está por vir e esquecer,
Esquecer de tudo que se teima em lembrar.
Eles querem sonhar que a vida é um filme
E esquecer o que o roteirista escreveu
Querem deixar de pensar em tudo que acontece entre aquele encontro
E o telefonema
Entre o dia em que o telefone tocou
E outro desde quando ele nunca mais se ouviu
Meus sentimentos querem sonhar que são um filme
Que se assiste comendo pão de queijo e coca-cola
Querem sonhar que são um filme tão emocionante
Que as vezes comemos o pão de queijo rápido, um depois do outro,
pra tentar disfarçar a ansiedade com a próxima cena
Meu sentimentos querem dormir
Pra esquecer que há momentos em que bocejamos no cinema
Meus sentimentos querem dormir
Pra sonhar que são filme pra se ver sábado a noite,
Abraçadinho com quem se gosta,
Ou fazendo guerra de pipocas com os amigos.
Meu sentimentos não querem nunca virar filme de Sessão da Tarde
Mas eles sabem que tem momentos na vida em que viram filmes do Corujão
Para alimentar e acalentar a insonia alheia
E fazer acordar na madrugada,
outros sentimentos,
Vindos de um filme fracês,
Ou talvez delicados como um Bertolucci.
Meu sentimentos querem dormir,
pra sonhar que são filmes que se assiste sempre acompanhado, sempre.
Meus sentimentos querem acordar e sentir que viram o filme junto de alguéns.
Meu sentimentos querem acordar nos sentimentos de algúens.
Meus sentimentos querem ser filmes com cross-over,
Toda hora se enrredando com o sonho-filme de outros sentimentos.
Meus sentimentos não querem oscar de melhor diretor,
Querem um filme cheio de falhas, querem errar várias vezes ainda.
Com certeza não querem oscar de melhor maquiagem,
Meus sentimentos acordam com olheiras, com remelas e com a cara amaçada.
Eles não querem ser sentimentos maquiados e,
Jamais querem viver
Entre sentimentos mascarádos.
Mas com certeza desejam ganhar por melhor fotografia,
Se tem uma coisa que querem é ser um sonho de imagens lindas.
A vida toda emoldurada em uma bela paisagem.
Convém também. no mínimo, concorrer,
Por melhor trilha sonora,
Afinal, eles querem samba,
Samba na rotina,
Porque é rotina, mas não precisa ser monótona.
Eles querem rock,
Rock no banho, pra cantar sozinho e se lembrar que é feliz,
Ou pra escorregar, e lembar que tem que se cuidar pra não cair.
Eles querem Frank pra dançar sozinho na sala
E fazer caretas na frente do espelho.
Eles querem tango, tango na cama,
Tango na cama com companhia,
Pra se lembrar sempre do que é feito um amor.
Meus sentimentos querem dormir,
Pra sonhar que ganharam oscar por melhor edição,
Meus sentimentos querem sonhar pra esquecer o que gostariam de editar.
- Shhh, silence. They are trying to sleep.
- Who? who are trying ot sleep?
- My feelings, they are trying to sleep.
Little Big, Eles querem sonhar...
quarta-feira, fevereiro 22, 2006
Em diferença
Tudo está sob controle.
É tudo certo e incapaz de se constituir em ameça.
Se mantém assim o ser até o momento em que alguém se levanta e diz:
"Amanhã tenho que levantar cedo, melhor eu ir embora."
Está frase diz muito mais do que isso, diz:
"Eu não me importo mais em estar aqui. Se eu for embora agora, não vai me fazer diferença."
E então o outro lado percebe.
Sai-se da segurança.
E se verifica: Eu não faço diferença. Não estou em diferença a nada. Estou sim em indiferença.
E, então, tudo se move.
O que era reprimido se faz visível,
O desejo contido e a superioridade se fazem destruídos.
E, como em último ato de desespero,
Se lançam ações para que se reverta,
Para que se seja sentido em diferença.
"Então tá. Nos falamos amanhã"
"Tchau, vou sentir saudades"
"Um beijo, te amo"
Tudo dito para que
em tentativas inconsientes
Não nos tornemos indiferentes para ela
Ali na nossa frente,
Provando, em sua indiferença, nossa insignificancia.
Nenhuma ligação que se faça
ou palavra que se diga,
provaca mais movimento
do que o fato de não ligar quando se é esperado.
De não falar quando lhe querem ouvir.
A indiferença sim, é o real motor do mundo.
Nós, ifames,
Viis,
Em tentativas patéticas e ensurdecedoras,
Dizemos: Eu!
Esperando tão ingenuamente,
Que digam nossos nomes,
Sem que precisemos, para isso,
Berrar.
Mesmo que em nosso clamor,
não emitamos se quer,
um ruido desfinado e inaldível.
É tudo certo e incapaz de se constituir em ameça.
Se mantém assim o ser até o momento em que alguém se levanta e diz:
"Amanhã tenho que levantar cedo, melhor eu ir embora."
Está frase diz muito mais do que isso, diz:
"Eu não me importo mais em estar aqui. Se eu for embora agora, não vai me fazer diferença."
E então o outro lado percebe.
Sai-se da segurança.
E se verifica: Eu não faço diferença. Não estou em diferença a nada. Estou sim em indiferença.
E, então, tudo se move.
O que era reprimido se faz visível,
O desejo contido e a superioridade se fazem destruídos.
E, como em último ato de desespero,
Se lançam ações para que se reverta,
Para que se seja sentido em diferença.
"Então tá. Nos falamos amanhã"
"Tchau, vou sentir saudades"
"Um beijo, te amo"
Tudo dito para que
em tentativas inconsientes
Não nos tornemos indiferentes para ela
Ali na nossa frente,
Provando, em sua indiferença, nossa insignificancia.
Nenhuma ligação que se faça
ou palavra que se diga,
provaca mais movimento
do que o fato de não ligar quando se é esperado.
De não falar quando lhe querem ouvir.
A indiferença sim, é o real motor do mundo.
Nós, ifames,
Viis,
Em tentativas patéticas e ensurdecedoras,
Dizemos: Eu!
Esperando tão ingenuamente,
Que digam nossos nomes,
Sem que precisemos, para isso,
Berrar.
Mesmo que em nosso clamor,
não emitamos se quer,
um ruido desfinado e inaldível.
terça-feira, fevereiro 14, 2006
Delicado
Cai uma chuva pequena lá fora
Quase pensei em ligar
Ouço uma palavra repetidas vezes
Suave
Se me olhasse suave
Se me tocasse suave
Talvez me mantivesse, suave
Em um toque assim tão delicado
Mantém-se um amor
Em pequenos deslizes
Um olhar
As costas da mão
Um abraço
E se mantém um amor
Se mantém um amor
Com um gesto tremido
Com um sorriso inseguro
Mantém-se um amor
Passa assim tão rápido
Se janta
Se dorme
Se ama
Se vive
Mas se sente:
Só em pequenos deslizes
Olha-se delicado um amor
E se tem a certeza
De qualquer coisa que seja
Convém à vezes uma surpresa,
Suave.
Não que com isso se diga
Que pra se ser suave de monotonia se viva
A monotonia não tem nada de delicado
É dura, é direta
Não conhece força de um olhar encantado
Mas, convém às vezes uma surpresa.
Mesmo que em cama ardente se encontre,
Achar quem se esconde,
Atrás do prazer vivente.
E se fazer sentir,
Não em pele.
Não em carne.
Olhar.
Com um ato. Suave.
Quase pensei em ligar
Ouço uma palavra repetidas vezes
Suave
Se me olhasse suave
Se me tocasse suave
Talvez me mantivesse, suave
Em um toque assim tão delicado
Mantém-se um amor
Em pequenos deslizes
Um olhar
As costas da mão
Um abraço
E se mantém um amor
Se mantém um amor
Com um gesto tremido
Com um sorriso inseguro
Mantém-se um amor
Passa assim tão rápido
Se janta
Se dorme
Se ama
Se vive
Mas se sente:
Só em pequenos deslizes
Olha-se delicado um amor
E se tem a certeza
De qualquer coisa que seja
Convém à vezes uma surpresa,
Suave.
Não que com isso se diga
Que pra se ser suave de monotonia se viva
A monotonia não tem nada de delicado
É dura, é direta
Não conhece força de um olhar encantado
Mas, convém às vezes uma surpresa.
Mesmo que em cama ardente se encontre,
Achar quem se esconde,
Atrás do prazer vivente.
E se fazer sentir,
Não em pele.
Não em carne.
Olhar.
Com um ato. Suave.
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