quinta-feira, dezembro 31, 2009

Adeus Ano Velho, Feliz Ano Novo

***

É chegado então o último dia de 2009. Hora de rever o ano, ver o que foi, o que não foi,  e dizer o que se quer pro ano que vai nascer.

Vou parafrasear, ou paraparagrafar, ou paralistar - mais apropriado - meu comparsa e usar a lista criada por ele como base para a minha, mas antes, algumas palavras sobre 2009.

Ontem a noite, quando comecei a pensar neste post, estava bem azeda, hoje acordei mais doce e um pouco mais generosa com 2009. Então, vamos lá?

Vai deixar saudades?

Não sei. Ainda não consegui decidir se 2009 vai ou não deixar saudades, mas, com certeza, foi um ano que teve seus grandes momentos, como bem defini à Leria e ao meu dindo Caco:

As for me, I believe to be going through my final stage to becoming an adult: which I'm finding very challenging and fun at the same time. Deep inside I feel just like a child playing "let's pretend", the only difference is that is a never ending game.


ou, em português: 


Quanto a mim, acredito estar passando pelo meu estágio final de tornar-me uma adulta, o que eu estou achando muito desafiador e divertido, ao mesmo tempo. Bem lá no fundo, me sinto como uma criança brincando de casinha, a única diferença é que, daqui pra frente, é uma brincadeira que nunca termina. 


Então é isso, passei por momentos incríveis como as reuniões com os Tippers, a minha ida pro Rio, minhas aulas melhorando a cada dia, a apresentação do meu PGE, as aulas que dei na ESPM, os retornos que recebi. E passei, também, por momentos não tão incríveis assim.
Acho que aprendi bastante.

Então, vamos a lista:



RETROSPECTIVA/PERSPECTIVA

PERSPECTIVA 2010:
Ser 

PRIORIDADE 2010:
"O Ano da França no Brasil, foi 2009,  mas continuar com

Negociê, Escrevê, Criativê
e claro, Festerê" (By meu comparsa Mário)

FILME:
Avatar

LIVROS :
O Semehante (Elisa Lucinda), O Dia do Curinga

LIVRO DE CABEÇEIRA: 
Sabedoria Todo o dia - são 366 páginas de pensamentos positivos, uma pra cada dia do ano. Bem bom pra começar o dia. Presente de um amigão querido. 

MÚSICA:
Não sei o nome, mas o importante dela é: SINTO QUE SEI QUE SOU UM TANTO BEM MAIOR - Teatro Mágico - e Bjor (que rima com Jerk, segundo ela mesma) ALL IS FULL OF LOVE.
 Mais nada a declarar. 


TEATRO: 
Deus é Química (Fernanda Torres)

CAFÉS:
Copenhagem com o Mário (mesmo com o episódio do celular quebrado)
Barbarella com os Tippers

BARES - Noites de Gatos Pretos do Ano:
Dometila - Eu, Amanda e Rogério
Jobi - Eu e Mário 


RESTAURANTE: 
Trancoso com a Ana 
(e mais recentemente) a Churrascaria com o Lucas


EXPOSIÇÃO: 
as por vir!!!!! 


FRASES:
Ai tantas, acho que preciso do caderninho do Mário.
 Poema a Pequenas Mortes (meu)
e a inspiração maior, Mário, o Quintana: 
"Todos os Poemas são os Mesmos Poemas,
Todos os Tragos são o Mesmo Trago,
Não é de Uma Vez que se Morre,
Toda as Horas são Horas Extremas"  
E, claro, da peça Deus é Química: 
"Dá um Lexotan, dá um Frontal, alguém dá um Rivotril pra essa pessoa!" 

NEGÓCIOS IMOBILIÁRIOS: 
No meu caso, os que ainda virão. O mais perto que cheguei de um negócio imobiliário foi quase me mudar pra casa do Mário. 


NOVOS AMIGOS ou PESSOAS QUE GANHEI:
Beth Resende, Júlio Conte, minha mãe, minha avó, Paula Jung, Rogério Azul, Pedro e Bibi, Bennetti (é com dois tudo?), Lucas e Vini. 
Ganhei meu Dindo de volta. 


ACONTECIMENTO MARCANTE: 
Minha ida pro Rio foi um divisor de águas no ano. 


RECOMENDAÇÃO DO ANO: 
Let it GO!
    
POSTAGENS MAIS COMENTADA NO BLOG:  
Poema à Pequenas Mortes


MINHA CASA, MINHA VIDA: 
Novo escrito na parede: "Afinal, você é uma Alice ou um coelho?" - ainda não terminado.


ÁREA CRIATIVA:
TUUUUUUDIBOM!
Voltei e mantíve-me a escrever.
Voltei a pintar. 
É como realizar sonhos, só que melhor. 

PROJETO SUSPENSO: 
Meus mestrados, minhas palestras, minhas exposições. 


PROJETOS NÃO  SUSPENSOS:
DVD do Mário.


$¢ENÁRIO : 
Botei uma fitinha amarelha do senhor do Bom Fim no pulso pra pedir bufunfa. Esse é o $¢enário. Pode ser? 
  
TEORIA E PRÁTICA:
Ah... o amor. Teoria e prática da paixão são duas coisas tão antagônicas...


PROPÓSITOS: 
Manter a lucidez, sempre. 



TOO MUCH: 
Outras pesssoas. 


DE MENOS: 
grana.


BEM DE MENOS:  
Papai é meu herói.


SONHOS SE REALIZANDO:  
Minha tatuagem nova. 


SONHOS A REALIZAR: 
Muuuuuuuuuiiiiiitos. 


UMA PALAVRA PRA DEFINIR 2009:
Evolução!


QUE VENHA 2010!




E, pra finalizar, acabo com o cartão de entrada de Ano que fizemos para a empresa que estou criando. Acho que ele fala por si mesmo: 







Família #2: Poemas da avó

Hoje,  com gosto e reverência, abro aqui espaço para palavras que não são minhas.
Minha avó me escreveu um poema e aqui o coloco.
Talvez esse seja o último post de 2009,
Se for, que venha 2010 com amor igual ao que escreveu este poema.
Que todos os desejos de todas as pessoas se cumpram e,
Como ainda ontem me caiu a pimenta que carregava como tornozeleira, desejo:
Que tudo que for dirigido a mim volte em dobro para quem desejou.

Acho que ainda faço um post a falar de 2009, mas, por ora, fica o poema:


O Vestidinho Cor de Rosa 


Quado tu,
Já eras, 
Mas não tinhas nascido, 
Eu teci o teu primeiro vestidinho
Com agulhas e linha rosa. 
Sonhei com teu rosto
Ainda em botão de rosa. 


Hoje, tu 
Estás tecendo 
Histórias nossas
Vividas por todos,
Tecidas 
Nas linhas 
Desta família,
Com lembranças,
Sonhos e dor, 
Frente à lareira
Da vida, 
Cujo calor
Ainda perdura. 


Uma história só tem sentido, 
Se consegue 
Mostrar
A trama
Do amor
O valor
De um ideal
Que não perece
Como a flor. 


Na finitude 
Da vida
Soprou um vento
Que passou
E levou
De roldão
Até um coração
Que palpitou. 


Mas a história 
De amor
Ainda tem as tramas
Dos sentimentos 
E ideiais
Que o fogo não queimou,
Que o vento não levou...


É uma perpetuação,
É uma ressurreição!


E agora digo eu, pra finalizar: Obrigada pelo amor, minha avó. E, para 2010:

QUE VENHA COM UM VIVA E UM VIDA ÀS RESSURREIÇÕES
DIÁRIAS DE TODOS NÓS.

quarta-feira, dezembro 30, 2009

Moldura para Sentimentos

* * *

O cheiro de solvente continua, mesmo muito depois de eu ter me despedido das tintas.
É o quadro, ainda se diluindo em mim.

Minhas cores andam confusas, voláteis como o solvente que uso.
Nem é tanto pelo obra, mas pelos comporadores.

É coisa muito íntima um quadro,
A gente produz assim, com tanto afinco, tanto suor;
para oferecer assim ao mundo?
Tão livres, tão desprotegidos?
Quem assegura os quadros?
Quem assegura suas pinceladas?

Fortes ou fracas,
intensas ou não,
são frágeis,
são castas.

Não se pode tratar assim,
com quaisquer olhos,
as cores.

Há de se haver cuidado,
há de se haver ternura.
Há de se entender a pérola rara que se tem a frente.
O risco é grande, ao não fazer:

do pintor, se vai a orelha
exausta de já ouvir  assim tantos disparates,
sem critério ou lucidez.

Mas uma orelha é pouco,
o que dizer dos olhos cegos de quem olhou,
mas privou-se de ver?

Bem como um quadro, este texto não fala de quadros.
Bem como quadros,
cada um pode ver nele o que bem lhe convier:

espero eu não precisar viver de vender óculos escuros...


Porto Alegre, 29/30 de Dezembro de 2009.

segunda-feira, dezembro 28, 2009

Troca de E-mails #1: O homem com o jarro d'água

Uma vez me falaram que estava por vir uma nova era, que esta nova era traría um novo profeta, que estava escrito na Bíblia que Jesus tinha dito para procurarmos pelo "homem com o jarro d'água". Seria a era de Aquário fazendo-se ouvir.

Uma era de consciência coletiva, de amor ao próximo, de sociedade amonetárias. Muito difícil acreditar em tudo isso assim, logo de saída. Muito difícil acreditar em tudo isso quando não é mais 1960. Muito difícil acreditar em tudo isso sem Hendrix e sua guitarra. Sem Lennon e suas palavras.

Ou talvez não: fui ver Avatar. O filme mais caro já produzido pela indústria cinematográfica. Um breakthrough tecnológico, efeitos especiais fantástico, o filme em si é um gigante efeito especial. E o enrredo: Consciência Coletiva.

Então a gente começa pensar que talvez alguma coisa possa estar acontencendo.

Recebi um e-mail do outro lado do mundo. É de uma menina que foi minha colega quando estudamos cinema em Paris. É minha irmã. Brigaríamos pelo maior pedaço de bife na mesa, sem falsas etiquetas. É minha irmã.

Fazia tempo que não nos falavamos e ele encontrou um e-email que eu enviei a quase um ano atrás. E desse e-mail seguiu uma conversa.

Ah, ia quase esquecendo, ela é formada em Clássicos Gregos e Filosofia, com mestrado em Relações Diplomáticas e sua tese foi sobre O Potencial Econômico Africano. Hoje ele faz documentários na Africa. E ela é uma menina, e faz festas, e bebe, e dividiu uma casa comigo, e tomou sopa em taças de Champagne comigo. E ela é minha irmã.

Quando recebemos um e-mail de uma irmã falando coisas incríveis sobre raínhas africanas, então a certeza começa a aumentar, de que esteja vindo por aí UM HOMEM COM UM JARRO D'AGUA!

Segue a conversa.

* * *

Léria para mim:


I really loved what you said about no more cuts. One thing I have enjoyed about getting older is that even if you never get closer to understanding life or the reasons why things happen, you really learn to accpet and to mend. To discuss and to reparate, keep baonds going. Its as if we form solidarity through the difficulty of the realisation that no, we will never really undertsand how things wre and why, but were all in the same ocean of souls.

Sorry if I'm sounding insane. Im starting to think junglike with the collective subconscious, which i dont believe is so subconscious, I think were all becoming more conscious of colective connection as we grow through life. Well, not all of us!! but the ones who are feel that solidarity. Sorry im making no sense!

I have had a great 2009, the year is what you make it right? And i learned a lot from the documentaries and adverts we were making. Especially about relationships and who you fall in love with and how. Creating things together is what matters most I believe.

I shall send you some funny annecdotes of the docus and how weve really had it tough with filming in the jungle and not knowing whether your doing the right thing, whether this will ever work out, and then seeing that one shot that really makes you believe in what you are doing.

I met the most incredible woman, she is my mothers age, she is an african queen, was the 16th wife of a Bangante Chief in Cameroon, speaks Bangante fluently and is respected throughout The Country. She is a white french woman who just stayed faithful to herself, because she was never conditioned into any society. Even the bagante one, she never followed their rituals. But she just commands respect. Its worth a trip to Cameroon. And a lot of people make the trip just for her.

Anyhoo i have to go shower cos i stink, just had a mlassive work out; but please send some news of what your up to and how things are going.

much much love

L xxx


*   *   *



Mim para Léria: 




WOW. That's just WOW. 

No, you are not sounding insane. Maybe you're sounding like a Na'vi from the film Avatar, but not insane.

Maybe you are sounding just like me. That's what I believe in. I'll send you the link to a text I wrote last year thanking about a crazy guy I met on a bus trip in Florida.

We talked about a lot of stuff, some believable, some not, but he spoke about the man with the jar of water and how we are entering a new era of collective consciousness, and YES, MY AQUARIUS SISTER, WE ARE.

And we, more than most, I'm sure were born to live in this era and no other. Well, who is sounding insane now...

Well, I'm just happy to see that even so far away, we still manage to stay connected  in our feeling and beliefs. I want to meet this Queen. Oh Gosh, I'm blown away by your e-mail.

As for me, I believe to be going through my final stage to becoming an adult: which I'm finding very challenging and fun at the same time. Deep inside I feel just like a child playing "let's pretend", the only difference is that is a never ending game. I have been writing a lot, which is making me real happy and, very very recently, came back to painting, which is making me ULTRA happy, with a big sense of powerness (new word, just invented =D) and self-possibilities but, most of all, a great sense of gratitude for everything and everyone.

Maybe I too, am entering the era and changing my mind, too. And so I hope. For the year to end, my word was: EVOLUTION. And saying that to you makes me very happy. Somehow I feel that was one of your words too.

I love you and I miss you.

Much Much love,

B X X X X X X X  (BIIIIG ecxes for you!)









Sentimentos #3: A Lua e o Tempo

Era um senhor muito distindo esse tal.  Mas é bem verdade que, de quando em quando, falavam dele entre bocas. Tinha uma função um tanto peculiar: sua ocupação era passar. Passar.
Embora passasse sozinho, tendo cuidado para não esbarrar em ninguém, havia sempre aqueles que diziam:

 - Ah, mas como demora. Queria que passasse mais rápido.
Ou, ainda, aqueles que diziam:
- Nossa, já?! Mas eu nem vi passar.

Sentia-se meio frustrado, pois parecia que todos aqueles que não eram nada mais que desconhecidos, que nunca haviam se preocupado em pensar sobre ele, ainda assim se davam ao direito de dirigir-lhe críticas sobre sua velocidade e se davam ao luxo de nunca estarem satisfeitos.

Talvez se um dia parassem, quem sabe poderíam até se dar conta do quão prazeirosas são suas passadas. Mas não. Os poucos que se atentam a uma observação superficial são porque estão a se preocupar com a chegada, ou a parte já passada, mas não olham como quem quer ver.

Pobre tal, parecia que vivia uma vida, a dizer, solitária, passando e passando. Mas é verdade que também mantinha algumas companhias constantes. Havia esta tal, da qual vos falo, que parecia estar sempre com ele. Sempre, que digo, é sempre ao escuro, que é quando ela se mostra. Não sei ainda se é tímida ou exibida, mas o fato é que só aparece ao cair do manto e, ainda assim, tem períodos em que lhe convém aparecer mais e, em outros, menos, deixando-nos à margem do seu prazer.

Mesmo que não se falassem, ela cumpria o seu papel de fazê-lo companhia somente ao vê-lo passar. E, assim, se acompanhavam um ao outro: enquanto ele passava, ela o contemplava; enquanto, ironicamente, todos pensavam estar contemplando a ela era ela que os vigiava.

Branca, reluzente, redonda, mas de forma variada. Particularmente a mim, me agrada quando se parece com um sorriso, inundado de malícia.

Mas hoje se apresenta por trás de véus, faz mistério. E brilha. Os véus negros ondulam-lhe por frente à face e, quando ela se permite revelar, vejo, além da pele, um prata de uma luz que a circunda e enche de vida o manto negro que a acolhe ao fundo.

Foi ela quem me chamou a atenção. Veio e disse:
- Ei, olha ele ali, passando!

E foi então que vi. Mas tive que olhar com atenção, porque nesses tempos que se seguem, ele tem passado tão rápido que nem o vejo mais. Quando vi, já se foi e já veio ele outra vez. Na verdade, a essas tantas, nos encontramos mais é nos cruzamentos. Eu passo, passo, passo. E ele, tão rápido, passa, passa, passa.

Logo que nasci, parece que acordamos em passar em passar a minha vida inteira brincando de pega-pega. É a minha vez de pegar, já faz 18 anos que é a minha vez de pegar. Mas, às vezes, me distraio da brincadeira e nem o vejo passar.

Tem horas que me canso, respiro rápido e me acelera o peito. Mas, daí, olho pro lado e penso: 18, ele ainda está correndo a meu favor.

Alice corre atrás do coelho, o coelho corre atrás do senhor. O senhor, dentro do crocodilo, persegue o capitão. O capitão perdeu o jogo. E eu aqui, já pequena, sonho em ser Peter Pan.

Ainda falta muito do caminho, mas uma coisa já possuo: descobri dentro de mim, uma fábrica inteira de pó de Pirilim pim pim.

Porto Alegre, mil novecentos e eu ainda tinha 18 anos.

domingo, dezembro 27, 2009

Sentimento #2: Convite a Loucura

A Loucura resolveu convidar os amigos para tomar um café em sua casa. Todos os convidados foram. Após o café, a Loucura propôs:

-  Vamos brincar de esconde-esconde?

- Esconde-esconde? O que é isso? - perguntou a Curiosidade.

 - Esconde-esconde é uma brincadeira. Enquanto conto até cem, vocês se escondem. Depois de terminar de contar, eu vou procurar e o primeiro a ser encontrado, é o próximo a contar.

Todos aceitaram brincar, menos o Medo e a Preguiça.

- 1, 2, 3.... - a Loucura começou a contar.

A Pressa escondeu-se primeiro, num lugar qualquer. A Timidez, tímida como sempre, escondeu-se na copa de uma árvore enquanto a Alegria corria para o meio do jardim. Já a Tristeza de agarrou direto na Dúvida, e começaram as duas a chorar pois não conseguiam encontrar o lugar ideal para se esconder.

A Inveja acompanhou o Triunfo e se escondeu perto dele, debaixo de uma pedra. A Loucura continuava a contar e seus amigos iam se escondendo. O Desespero ficou desesperado ao ver que a Loucura já ia contando o 99.

- 100! - Gritou a Loucura - Vou começar a procurar!

A primeira a aparecer foi a curiosidade, já que não aguentava mais de vontade de saber quem seria o próximo a contar. Ao olhar para o lado, a Loucura logo achou a Dúvida em cima de uma cerca, ainda sem ter decidido aonde se esconderia.

E assim foram todos aparecendo, a Alegria, a Tristeza, a Timidez. Quando estavam todos reunidos, a Curiosidade perguntou:

- Onde está o Amor?

Ninguém o tinha visto. A Loucura começou a procurar: procurou em cima da montanha; nos rios; debaixo das pedras; nada do Amor aparecer.  Procurando por todos os lados, a Loucura viu uma roseira, pegou um pauzinho e começou a procurar entre os galhos quando, derrepente, ouviu um grito de "Ui!".

Era o Amor, gritando por ter furado o olho com um espilho. A Loucura enlouqueceu sem saber o que fazer: pediu desculpas, implorou pelo perdão do Amor e até prometeu seguí-lo para sempre.

O Amor aceitou as ofertas. Hoje, o Amor é cego e a Loucura o acompanha sempre.

Mil Novecentos e Dois Mil e Poucos, tipo 2003, acho eu.

Velharias Revisitadas - Título: Natureza Minha

Minha natureza é mutante
Minha natureza é mutável

Não sou muito de nada
Sou um pouco de tudo

Sou borboleta em casúlo
Sou lagarta com asas

Concervadora
Subversiva
Um oceano em contradição

E nessas contradições me encontro
E, nelas, cada vez mais me perco

Sou a figura da dúvida
Sou a figura da vida

O silencioso grito histérico
Das asas que teimam
E teimam
E reteimam

Vivo em constante casúlo
Pois vivo em constante mudança

Minha casa é minha concha
Casa de pérola insana
De cor nenhuma
Multicolorida

No infiito espaço que compreende uma lágrima
Meu mundo se extíngue
E na segunda
Revive

Não como fênix
Não volta igual
Se refaz
Mais esclarecido e seguro
Se refaz
Mais confuso e sozinho

Mas não importa como se refaça
Se refaz mudança

Sempre como nada
Como muito de algo
Como um pouco de tudo

A contemplar o universo intenso
Das mihas contradições


Poema de mil novecento e nem me lembro quando, já faz tempo, Porto Alegre